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domingo, 3 de maio de 2026
Ecologi@Politic@Amazoni@: Formar professores e professoras na Amazônia hoje ...
Formar professores e professoras na Amazônia hoje é, inevitavelmente, um ato político. 🎓🌱
Formar professores e professoras na Amazônia hoje é, inevitavelmente, um ato político. 🎓🌱
A formatura da Turma de Ciências Biológicas (03 de maio de 2024), que leva o nome do Prof. Camilo Torres Sanchez, acontece em um contexto de profundas contradições: enquanto se fala em desenvolvimento sustentável, muitos territórios seguem enfrentando abandono, desigualdades e pressões sobre seus modos de vida.
É nesse cenário que a educação pública, por meio de iniciativas como UEA, PARFOR, CAPES e parcerias locais, se afirma como ferramenta concreta de transformação — formando profissionais comprometidos com a ciência, mas também com a realidade social e ambiental da Amazônia.
Dar nome a essa turma é, para mim, mais do que uma honra: é um chamado à responsabilidade de seguir construindo uma formação crítica, enraizada no território e voltada para o futuro.
Parabéns aos formandos e formandas. Seguimos.
#EducaçãoPública #Amazônia #FormaçãoDocente #Ciência #Territórios #TransformaçãoSocial
quinta-feira, 30 de abril de 2026
“Do quintal à resiliência climática: a revolução silenciosa que sustenta os ODS”
Um quintal agrobiodiverso amazônico pode ser definido como uma unidade socioecológica multifuncional, situada no entorno imediato da moradia, que integra dimensões de área, biomassa, biodiversidade, organização familiar, economia e cultura, desempenhando papel estratégico na construção de paisagens agroecológicas resilientes.
Em termos de área, o quintal não é definido por um tamanho fixo, mas por sua funcionalidade: pode variar de pequenos lotes urbanos a extensões maiores em contextos rurais, organizados de forma intensiva e estratificada, aproveitando cada espaço disponível para múltiplos usos (produção, moradia, saneamento e convivência).
Quanto à biomassa, caracteriza-se por alta densidade e diversidade de cobertura vegetal, incluindo árvores frutíferas, plantas medicinais, ornamentais e espécies nativas, que contribuem para ciclagem de nutrientes, sombreamento, regulação térmica e armazenamento de carbono — elementos centrais para adaptação climática. A biodiversidade é um de seus pilares: o quintal funciona como um mosaico de espécies cultivadas e espontâneas, promovendo interações ecológicas, abrigo para fauna (polinizadores, aves, insetos benéficos) e conservação de variedades locais. Essa diversidade garante estabilidade ecológica e segurança alimentar frente às incertezas ambientais.
segunda-feira, 30 de março de 2026
Diálogos e Relatos de Experiências sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA): desafios e possibilidades para a construção de uma universidade inclusiva no Alto Solimões
Diálogos e Relatos de Experiências sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA): desafios e possibilidades para a construção de uma universidade inclusiva no Alto Solimões
Maria Francisca Nunes de Souza INC/UFAM
Resumo
Este artigo analisa a experiência do projeto “Diálogos e Relatos de Experiências sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)”, realizado no Instituto de Natureza e Cultura da Universidade Federal do Amazonas (UFAM/INC), no município de Benjamin Constant (AM). A iniciativa, desenvolvida em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, teve como objetivo promover a sensibilização da comunidade acadêmica acerca dos direitos das pessoas com TEA, com ênfase na inclusão no ensino superior e no enfrentamento do capacitismo. A pesquisa se insere no campo da educação inclusiva e caracteriza-se como uma ação de extensão universitária com abordagem qualitativa, fundamentada na construção de espaços dialógicos e participativos. Os resultados evidenciam que, embora haja avanços normativos no Brasil, persistem desafios estruturais, pedagógicos e atitudinais para a efetivação da inclusão. Conclui-se que iniciativas como esta contribuem para o fortalecimento de práticas inclusivas e para a consolidação de uma universidade comprometida com a diversidade.
Palavras-chave: TEA; educação inclusiva; ensino superior; direitos humanos; capacitismo.
1. Introdução
A ampliação do acesso ao ensino superior nas últimas décadas tem evidenciado a necessidade de repensar as práticas institucionais no que se refere à inclusão de sujeitos historicamente marginalizados. Dentre esses grupos, destacam-se as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), cuja presença nas universidades vem crescendo, tensionando modelos tradicionais de ensino ainda pouco sensíveis à diversidade.
Embora o ordenamento jurídico brasileiro reconheça o direito à educação inclusiva, a efetivação desse direito ainda encontra barreiras significativas, especialmente no ensino superior. A inclusão, nesse contexto, não pode ser reduzida à matrícula, mas deve envolver condições reais de permanência, aprendizagem e participação.
Nesse cenário, o projeto “Diálogos e Relatos de Experiências sobre o TEA” emerge como uma estratégia de intervenção no espaço acadêmico, buscando promover a conscientização e fomentar práticas inclusivas. Este artigo tem como objetivo analisar essa experiência, discutindo suas contribuições e limites para a construção de uma universidade inclusiva no Alto Solimões.
2. Educação Inclusiva, TEA e Ensino Superior: bases conceituais e legais
O TEA é compreendido como uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por diferenças na comunicação, interação social e padrões comportamentais. No campo educacional, sua inclusão no público da educação especial está assegurada por marcos legais como a Lei nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana), que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA.
Além disso, a Lei nº 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão) e o Decreto nº 12.686/2025 reforçam a necessidade de políticas educacionais inclusivas, destacando a acessibilidade, a equidade e o atendimento educacional especializado como pilares fundamentais.
No entanto, a literatura aponta que a inclusão no ensino superior ainda enfrenta desafios relacionados à falta de formação docente, à rigidez curricular e à insuficiência de políticas institucionais efetivas. Nesse sentido, o conceito de capacitismo torna-se central, ao evidenciar práticas discriminatórias naturalizadas que limitam a participação plena das pessoas com deficiência.
Assim, a construção de uma universidade inclusiva exige não apenas adaptações técnicas, mas uma transformação cultural que reconheça a diversidade como elemento constitutivo do processo educativo.
3. Metodologia
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, com base em uma experiência de extensão universitária. O projeto foi realizado no dia 26 de março de 2026, no Auditório do Instituto de Natureza e Cultura da UFAM, no município de Benjamin Constant (AM).
A proposta metodológica fundamentou-se na criação de um espaço dialógico, envolvendo acadêmicos, professores, técnicos administrativos e comunidade externa. As atividades desenvolvidas incluíram:
Mesa de abertura com representantes institucionais;
Palestra sobre TEA e direitos humanos no contexto do Alto Solimões;
Mesa redonda com relatos de experiências no ensino superior;
Exibição de filme com temática relacionada à inclusão.
A metodologia adotada privilegiou a escuta ativa, o compartilhamento de experiências e a construção coletiva do conhecimento, aproximando-se de uma perspectiva de pesquisa-ação.
4. Resultados e Discussão
A realização do evento evidenciou a importância de espaços institucionais voltados ao debate sobre inclusão e direitos humanos. A participação diversificada do público possibilitou a emergência de múltiplas perspectivas sobre os desafios enfrentados por estudantes com TEA no ensino superior.
Entre os principais pontos discutidos, destacam-se:
A necessidade de fortalecimento dos Núcleos de Acessibilidade e Inclusão (NAI);
A importância de práticas pedagógicas flexíveis e adaptadas às diferentes formas de aprendizagem;
A carência de formação continuada para docentes no campo da educação inclusiva;
A persistência de barreiras atitudinais e institucionais.
Outro aspecto relevante foi o destaque dado ao protagonismo das pessoas com TEA, rompendo com uma perspectiva assistencialista e reconhecendo esses sujeitos como agentes ativos na construção do espaço universitário.
Os debates também evidenciaram que a inclusão não se limita a políticas formais, mas depende de mudanças nas relações sociais e nas práticas cotidianas dentro da universidade.
5. Considerações Finais
A experiência do projeto “Diálogos e Relatos de Experiências sobre o TEA” demonstra que a promoção de espaços de diálogo e reflexão é fundamental para o avanço da inclusão no ensino superior.
Embora existam avanços legais significativos, a efetivação de uma universidade inclusiva ainda demanda esforços contínuos no âmbito institucional, pedagógico e cultural.
Conclui-se que iniciativas como esta contribuem para a sensibilização da comunidade acadêmica, para o enfrentamento do capacitismo e para a construção de uma educação superior mais democrática, acessível e comprometida com a diversidade.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Os delegados na COP30 parecem não entender o que é um roteiro. Um roteiro não é uma oficina ou uma reunião ministerial.
Estamos numa encruzilhada planetária. Já enfrentamos perigos. Bilhões de pessoas sofrem e estamos nos aproximando rapidamente de pontos de inflexão na Amazônia, nos recifes de coral tropicais e em muitos outros ecossistemas. A COP30 tem uma escolha a fazer: proteger as pessoas e a vida ou a indústria dos combustíveis fósseis.
Na forma como estão, ambas as propostas de roteiros para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e para o fim do desmatamento são uma provocação. Os delegados parecem não entender o que é um roteiro. Um roteiro não é uma oficina ou uma reunião ministerial. Um roteiro é um plano de trabalho concreto que precisa nos mostrar o caminho de onde estamos para onde precisamos chegar, e como chegar lá.
Precisamos estar o mais próximo possível de zero emissões absolutas de combustíveis fósseis até 2040, no máximo até 2045. Isso significa, globalmente, nenhum novo investimento em combustíveis fósseis, a eliminação de todos os subsídios a esses combustíveis e um plano global sobre como introduzir gradualmente fontes de energia renováveis e de baixo carbono de forma justa, e eliminar os combustíveis fósseis rapidamente. O financiamento de países ricos para países em desenvolvimento é imprescindível.
Na COP 30 em Belém, já não basta reiterar que o financiamento dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento é imprescindível – ele precisa ser previsível, baseado em doações e consistente com uma transição justa e equitativa. A credibilidade do Acordo de Paris depende disso. Sem ampliar e reformar o financiamento climático, os países em desenvolvimento não podem planejar, investir e implementar as transições necessárias para uma sobrevivência compartilhada.
A única razão pela qual podemos ter uma eliminação gradual e ordenada dos combustíveis fósseis é porque presumimos que as florestas continuarão sendo um importante sumidouro de carbono. Infelizmente, temos cada vez mais evidências de que as florestas estão se transformando de sumidouros de carbono em fontes de carbono. Isso acontece porque as florestas são vulneráveis às mudanças climáticas, que causam secas, incêndios, ondas de calor e conversão do uso da terra mais frequentes e intensas. A principal causa das mudanças climáticas é a queima de combustíveis fósseis; portanto, sem uma eliminação gradual dos combustíveis fósseis, as florestas podem não ter a capacidade de sobreviver e prosperar. É por isso que é igualmente urgente ter um plano para eliminar simultaneamente os combustíveis fósseis e acabar com o desmatamento.
A maioria das florestas tropicais intactas encontra-se em países em desenvolvimento. O roteiro para o fim do desmatamento deve incluir apoio financeiro, capacitação e monitoramento robusto. A proteção florestal não pode ser usada como compensação. As florestas em pé não podem ser uma desculpa para continuar queimando combustíveis fósseis.
A curva global de emissões de gases de efeito estufa precisa se estabilizar no próximo ano, 2026, e não em algum momento futuro. Precisamos começar agora a reduzir as emissões de CO2 provenientes de combustíveis fósseis em pelo menos 5% ao ano. Isso é imprescindível para que tenhamos alguma chance de evitar impactos climáticos incontroláveis e extremamente custosos que afetarão todas as pessoas no mundo.
O orçamento global de carbono, calculado pela ciência, constitui a base para orientar a agenda de mitigação e o ritmo de redução das emissões. O RCB (orçamento de carbono restante) está agora essencialmente esgotado, restando apenas 130 bilhões de toneladas de CO2, o equivalente a 3-4 anos de emissões globais na taxa atual. Este orçamento científico fornece a base para todas as políticas climáticas sérias. É a nossa ferramenta de contabilização para nos mantermos longe do perigo. Remover o orçamento de carbono do texto significa remover a realidade da COP.
SIGNED
Carlos Nobre – Science Panel of the Amazon
Fatima Denton – United Nations University
Johan Rockström – Potsdam Institute for Climate Impact Research
Marina Hirota – Instituto Serrapilheira
Paulo Artaxo – Universidade de São Paulo
Piers Forster – University of Leeds
Thelma Krug – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
https://www.linkedin.com/pulse/os-delegados-na-cop30-parecem-n%25C3%25A3o-entender-o-que-%25C3%25A9-um-torres-sanchez-1fh6f



