quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Sabor Açaí: entre o sagrado, o mercado e o Estado 🌿 Sabor Açaí: between the sacred, the market, and the State

 



Sabor Açaí: entre o sagrado, o mercado e o Estado 🌿 Sabor Açaí: between the sacred, the market, and the State


Ao redor do açaí tecem-se embates que ultrapassam o fruto e tocam o próprio sentido da vida humana e natural na Amazônia. Around the açaí, tensions arise that go beyond the fruit itself — they reach into the very meaning of human and natural life in the Amazon.


De um lado, os saberes e afetos dos caboclos ribeirinhos, que veem na natureza uma extensão das relações de parentesco e reciprocidade. On one side, the riverine peoples’ wisdom and affections, who see nature as an extension of kinship and reciprocity.


De outro, o poder do Estado, com suas instituições de pesquisa, controle e vigilância — EMBRAPA, ANVISA, Receita Federal — e seus bancos de fomento. On another, the power of the State, with its research, control, and surveillance institutions — EMBRAPA, ANVISA, the Federal Revenue, and development banks.


E, mais recentemente, as “novas instituições” globalizadas, que certificam, auditam e regulam, impondo padrões e valores que muitas vezes deslocam o poder soberano das populações amazônicas. And more recently, the rise of globalized “new institutions”, which certify, audit, and regulate — often displacing the sovereign power of Amazonian peoples.


🍇 O açaí, nesse cenário, torna-se símbolo de uma luta mais ampla: entre o mundo da vida e o mundo do lucro. 🍇 In this context, açaí becomes a symbol of a larger struggle: between the world of life and the world of profit.


A mercantilização da floresta, a privatização do Estado e a expropriação de saberes locais intensificam uma cisão entre o humano e o natural, ameaçando as bases de convivência que sustentam o estuário amazônico. The commodification of the forest, the privatization of the State, and the expropriation of local knowledge deepen a split between the human and the natural, threatening the foundations of coexistence in the Amazon estuary.


Mas o Códice “Sabor Açaí”, na voz poética de João Gomes e Nilson Chaves, revela outra narrativa: o açaí como entidade viva, andrógina, sagrada e generosa. Yet the Codex “Sabor Açaí”, in the poetic voice of João Gomes and Nilson Chaves, unveils another narrative: açaí as a living being — androgynous, sacred, and generous.


🌿 “És a planta que alimenta a paixão do nosso corpo... Eu te entrego até o caroço.” 🌿 “You are the plant that feeds the passion of our bodies... I offer you down to the seed.”


A canção transforma o alimento em mito, o fruto em sangue, o beneficiamento em ritual. The song transforms food into myth, fruit into blood, and processing into ritual.


Nela, o açaí não é mercadoria — é dom, sacrifício e comunhão entre humanos e não humanos. In it, açaí is not a commodity — it is gift, sacrifice, and communion between humans and non-humans.


💬 Falar do açaí é, portanto, falar de resistência, de cosmologias que sobrevivem à colonialidade, e de outros modos de habitar o mundo. 💬 To speak of açaí is to speak of resistance, of cosmologies that survive coloniality, and of other ways of inhabiting the world.


Que essa reflexão nos ajude a enxergar a Amazônia não como recurso, mas como relação. May this reflection help us see the Amazon not as a resource, but as a relationship.


#Amazônia #Açaí #Agroecologia #CulturaAmazônica #Cosmologias #Resistência #EducaçãoAmbiental #EcologiaPolítica #SaberesTradicionais #JoãoGomes #NilsonChaves #Amazon #ClimateJustice #DecolonialEcology #Sustainability

Allan Roffé - Navio Gaiola

Sabor Açaí | Nilson Chaves [Música Popular Paraense]

sábado, 8 de novembro de 2025

#AMAZONTIC2025

 🎙️✨ Na











#AMAZONTIC2025, teremos a honra de receber Camilo Torres Sánchez e Maria Francisca Núñez de Souza, representantes da Universidad del Estado de Amazonas – UEA y la UFAM/INC 🇧🇷🇨🇴!

Eles compartilharão experiências sobre ciência e inovação amazônica 🌿 e o papel das universidades na integração do conhecimento local com a tecnologia 💡

📅 07 de novembro de 2025 – 10h20
📍 Feria AMAZONTIC, Leticia – Amazonas

#AMAZONTIC2025 #CienciaAmazonica #Innovacion #UEA #ConocimientoLocal #AmazonasSostenible #EducacionAmbiental #JovenesPorLaCiencia #GobernacionAmazonas #SaberesDelAmazonas

FERIA AMAZONTIC 2025 – Ciência, Tecnologia e Inovação no Coração da Amazônia!

 🌿✨


FERIA AMAZONTIC 2025 – Ciência, Tecnologia e Inovação no Coração da Amazônia!

De 5 a 7 de novembro, a @GobernacionAmazonasCol realiza a Feria AMAZONTIC 2025, um espaço de encontro entre escolas, pesquisadores e instituições para promover a curiosidade científica e o amor pela natureza 🌎💡

🚀 Atividades interativas:

  • Planetário e Cohetes de Água

  • Experimentos de Magnetismo e Eletricidade

  • Relógio Solar e Biofilia

  • Zona de Realidade Virtual e Drones 🛰️

🎓 Participação de instituições como a UEA, SINCHI, SENA, Banco de la República, e UNAD, com exposições e conversatórios sobre o futuro da ciência no Amazonas.

🌱 Tema central:
“Conocimiento Local e Innovación: Cerrando la Brecha entre Saberes Tradicionales y Nuevas Tecnologías”.

📍 Local: Escuela Normal Superior, Leticia – Amazonas
📅 Datas: 5 a 7 de novembro de 2025
🕗 Horário: 8h00 às 17h00

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domingo, 26 de outubro de 2025

Manga Cametá, Tommy Hatkins e passaros Curió no quotidiano de Belém



Quem caminhar ou navegar pelas praças de Belem e os portos como o de Icoaraci pode se deparar com situações como esta, e quem sabe, bater uma foto ou gravar um video para comparar as mudanças desde 1981, 2003 a hoje 2025, meio seculo ou 50 anos depois talvez poderão ver que, tudo mudo sem mudar nada.





 

Ate o ano de 2003 as mangas Tommy produzidas e importadas desde o Vale do Rio São Francismo, área de monocultura industrial, não tinham saido das pratileiras dos supermercados e entrado na rede de comercio fluvial do estuário da cidade de Belém. No porto de Icoaraci, na periferia da cidade de Belém, foi registrada a imagem de um homem de aspecto similar ao fotografado por Madalena Schwartz em 1981, no seu barco vindo de Abaetetuba trazendo um carregamento de mangas do tipo Cametá.

 Homem pardo de cabelo curto pela sua aparência ele viajo a noite inteira para chegar em Belém de manha, ele não oferece um canastro de mangas ao fotografo, oferece todo o carregamento de mangas a venda, sem anel matrimonial ele talvez é solteiro ou separado.

Quais as diferenças visíveis entre esta imagem e seu ator da imagem captada por Madalena Schwartz em 1981. Pode-se dizer que nenhuma apos 22 anos. O barco é de maior porte mas isso não estabelece uma diferença grande. As embalagens utilizadas para transportar a manga são ainda de palha retirada e tecidas na propria propriedade do barqueiro.

 A presença do pneu velho delata as sobras que a expansão das rodovias como a Belém-Brasília, vão deixando pela região desde os anos oitenta. O teto do barco fabricado com zinco é bastante similar ao teto do barco da fotografia feita em 1981 revelando a permanência das técnicas de construção de navios na região.

 Atras do homem na fotografia observa-se um canastro de palha que foi remendado utilizando uma linha de plástico. Na fotografia anterior isto não aparecia, será que é o começo da substituição do material vegetal pelo material plástico nas embalagens de palha. Uma alternativa perversa as formas modernas e não modernas de incorporação das mangas na formaestrutural que estas fotografias registravam insurge destorcida na Belém de 2004.

Sera possivel que os turistas aprendices como Mario de Andrade durante a COP30 conseguirem bater a foto do comercio de passaros que usa a manga como isca. Quando a imprensa registra mais um comércio clandestino onde pessoas nomeadas como “desocupados” acusados quem sabe de “caboclos”, utilizam mangas impregnadas com resina viscosa, colocadas nas frutas de manga, para atrair periquitos e passaros Curió.

 As aves, capturadas, são depois vendidas por R$ 10 a unidade no comercio local. Eles agiam principalmente nas praças da República, Batista Campos e Nazaré, aquelas mesmas que representam a fase áurea da exploração da borracha amazônica e o principal surto da modernidade cultural ocidental na Amazônia. Se registra que muitos destes pássaros estão sendo comercializados no Nordeste, sobretudo para o Ceará, denotando a possibilidade de ser nordestinos os agentes deste comercio infame, a nota jornalística conclama a atuação do IBAMA para enfrentar esta perversão da atual estruturação regional.