segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

SCHWARTZ, MADALENA. VENDEDOR DE MANGA, ICOARACI, BELEM, PARA,BRASIL (1981)




    Um dos locais onde acontece o momento de contato entre o estuário rural não –moderno e o estuário urbano modernizado são os portos de Belém, o mercado de Ver-o-Peso, na tradicional feira-do-açaí e outros portos menores como o porto de Icoaraci. Nestes locais acontece a fase de descarrego, preparação da venda e a fase de venda das frutas que são os dois momentos da entrada das frutas na cidade, neste caso a manga e o açaí, na cidade de Belém. 

    A manipulação da manga e a movimentação do açaí em recipientes de uma palha especial similares um a outro é um momento importante deste processo. Ali se pode entrever uma serie de conflitos entre o moderno e o não moderno materializados no uso ou não de embalagens de palha ou de plástico para armazenar as frutas.  As embalagens de PVC já representam 30% das caixas para transporte e acondicionamento de frutas nos supermercados, informa o presidente da Associação Paulista dos Supermercados (APAS), Sussumu Honda. "A possibilidade de reaproveitamento, a diminuição do desperdício e principalmente a higienização, fizeram com que os supermercados optassem por esse tipo de produto", diz. Já no Pará a utilização majoritária é de embalagens feitas de fibras vegetais e no ano de 2004 foram objeto de fortes críticas por setores interessados na sua substituição por embalagens de plástico. As caixas de PVC são 100% recicláveis mas podem ser reutilizadas inúmeras vezes. É só lavar.

 Além disso, preservam o aroma e o gosto natural das frutas. Estudos da APAS apontam que, para a indústria de alimentos, as caixas de PVC são muito importantes no combate ao desperdício. A falta de condições ideais de armazenagem provoca a perda de 23% da produção nacional de frutas antes de chegar ao consumidor final. Isto significa que 13 milhões de toneladas, avaliadas em aproximadamente R$ 4 bilhões, são perdidas devido às más condições de acondicionamento. Só que ainda não é conhecida uma avaliação comparativa entre estas embalagens e seu impacto nos custos de produção do ribeirinhos.

 Neste momento de aportamento no porto da feira do açaí se descarregam todas as atitudes dos moradores ribeirinhos na sua relação com os moradores da urbe. Momento de prova física para os jovens que carregam de diversas formas os paneiros de açaí e de manga. Passagem do meio aquático para o meio terrestre. Da juventude para a maturidade. A manga e o açaí são seu peso demonstrando sua virilidade e amadurecimento. O recipiente onde se carrega a fruta passa a ser o objeto de interesse nas suas possibilidades de carregar os pesos e as qualidades dos objetos neste caso as frutas. Ao ponto do tratamento dispensado ao açaí e a manga não ser muito diferente somente que pela maior valorarão do açaí este utiliza paneiros mais finos e de menos idade. 

Momento de reflexão e preparo para os mais os homens velhos que organizam as frutas em grupos demora quase quatro horas. Passagem da posse usuária a posse de troca. Avaliam-se as vantagens de cada variedade da espécie em termos de sua troca monetária. A manga e o açaí são seu qualidade alimentar.  Momento de intensa atividade incontrolada onde juntam-se as negociações rápidas e o transporte rápido das frutas denotando o mudança de mãos das frutas, dura no máximo uma hora. Momento da comercialização e troca monetária. Participação feminina visível e discreta. A manga e o açaí são seu preço. 

    A Fotógrafa responsável pela imagem, Magdalena Isabel Mandel de Schwartz nasceu em Budapeste, Hungria 1923 e faleceu em São Paulo em 1993, radicou-se em São Paulo, em 1960, vinda da Argentina, onde havia vivido desde 1936. Foi dona de uma lavanderia no centro da capital paulista antes de começar a trabalhar profissionalmente com fotografia no início da década de 70, depois de ter feito seu aprendizado técnico no Foto-Cine Clube Bandeirante, no qual ingressara em 1966. Destacou-se como retratista, tendo trabalhado para a Rede Globo de Televisão entre 1979 e 1991. Considerada a grande dama do retrato contemporâneo no Brasil, participou de diversas exposições e salões internacionais. Mereceu uma homenagem póstuma da Fundação Nacional de Arte (em associação com a editora Companhia das Letras), em 1997, com a publicação do livro Personae, com retratos de sua autoria.

         Segundo seus críticos é impressionante como Madalena Schwartz fixa a fisionomia das pessoas que fotografa. Como acerta fotograficamente, uma imagem da gente do Brasil. É difícil achar quem poderia pensar nisso, nem por onde começar, voando e parando na imensidão onde o povo está espalhado, escondido no verde dos campos ou agitado entre as paredes de concreto das metrópoles. Gente que trafega, trabalha, pensa e sonha: quem vai enquadrar e fotografar. Foi Madalena a se envolver, ingênua e audaz, na tarefa. Pode ser que como conseqüência de seu contínuo itinerar de reportagens, vendo e revendo caras, registrando-as para outros e para si. 

        Especialmente para seu próprio arquivo (...) Madalena se propõe, nesta andança fotográfica da gente brasileira, a agrupar elementos desde os de linhagem, sustentados pelas empresas coloniais, até os desembarcados pela avalanche das imigrações, fugindo da Europa ou vindo à procura de fortuna: pessoas registradas em instantâneos, um panorama (...). Madalena escolheu sem escolher: acertou o povo de qualquer origem, os humildes e os que se tornaram famosos no olimpo do esporte ou no fechado setor da cultura, recompondo o Brasil. Cada um pode encontrá-lo e representá-lo como vê, crê e ama. Ela o viu, nele acreditou e o amou à sua cordial maneira. " 

        Seguindo essa linha de interpretação as mangas na fotografia realizada em 1981, são trazidas pelo homem dentro de uma canasta de fibra vegetal igual as usadas para o transporte do açaí. Canasta que atualmente esta sendo questionada como imprópria para seu uso no novo mundo das frutas modernizadas e substituída por uma embalagem quadrada de plástico. As mangas na imagem estão manchadas povoadas por algum fungo ou parasita, só por isso seriam impróprias para serem exportadas fora do Brasil, mas são fundamentais na dieta dos moradores da cidade de Belém. Pela expressão de força dos braços do homem o canastro esta bastante pesado, quem sabe alem dacapacidade física deste homem que sobre explorado, por se mesmo, se mantém livre do novo mundo assalariado. O peso das frutas não impede do homem mostrar o sorriso discreto e franco de quem esta dando ou doando algo precioso, será a vida transmitida no alimento extraído da seu sitio alagadiço. 

        Ou a doação ou troca de um objeto de forma livre mesmo que autoexplorada. Atras vem-se cerca de 50 canastros denotando a possibilidade de existir lá no sitio do caboclo muito mais que essas cerca de 100 mangas. O cabelo escuro e a pele parda a pesar do branco e preto da fotografia mostram a naturalidade do homem, o rio a água e o sol. A mão que esta a mostra, abaixo do cesto das mangas, revelando o corpo de outro homem na embarcação denuncia a filiação católica dos tripulantes do barco. O anel na mão izquerda deste homem o prova.

        As mãos delicadas, frágeis em aparência, agarram o cesto com cuidado e perícia. Esse mesmo desenho de cesto só que com um olho de menor diâmetro é utilizado para carregar açaí. O próprio homem põe a frente de si o canastro de mangas mostrando que para ele o importante é esse canastro abundante cheio de mangas. O ator principal desta trama é a transmissão da vida em forma de fruta ou de ser humano.

        Será que o barco ancorado do lado chama-se “Salém” ou “Jeru-salém”, rememorando as bruxas e os inquisidores que ainda agora através das palavras digladiam-se no mundo real, bruxas do mercado e inquisidores da ciência que cercam de cadeias a estes moradores ribeirinhos.

        Madalena Schwartz foi cobrir um Congresso Internacional de Bruxas na cidade de Bogotá no ano de 1975. Será que as mangas da fotografia são representantes ou ícones de um mundo da vida humana e natural marginal, pagão e mestiço que entra na cidade central, católica e branca, através desses barcos de madeira. Seu doce amarelo manga contamina as pessoas com esse mundo escuro e mágico escondido no meio das arvores de manga dos quintais das ilhas do estuário.
Pelo aspecto do contexto no fundo da imagem observa-se que a ação foi registrada numa das ilhas frente da cidade num igarapé pode ser a ilha das Onças ou a Trambioca. O barco virado na direção da jusante do igarapé indica que a maré esta vazando. Esse pano de fundo é característico da totalidade do estuário amazônico.
Ao igual que a continuidade entre as águas do estuário, os furos, igarapés e grandes rios que conformam a planície de inundação amazônica, a continuidade entre o mundo da vida humana e natural somente será garantida se existir uma interdigitação entre as formas vegetais de um mundo e outro, e forem similares preservando as conexões entre a fauna e seus hábitos alimentares e de moradia e dos seres humanos e seus hábitos de alimentação, moradia, lazer e crenças.

        A fotografa reconheceu a importância da relação entre o barco e o canastro de mangas ao compor a fotografia incluindo o barco como fundo de perspectiva e profundidade da ação principal que é a mostra que o homem faz do recipiente com as mangas. Mas será que ela se deu conta de que havia passado a fazer parte do mundo da vida amazônico? Será que a fotografa Madalena Schwartz compro as mangas? Será que o homem deu elas de presente para ela? Um processo de Mercadorização ou de Comunicação construído nesse preciso momento, lugar emateriais.

        Ate quando as mangas e o açaí so vão entrar no porto de Belém, na feira do açaí, será que num futuro não longinquo sera vista a manga Tommy sendo embarcada para ser vendida no interior do estuário, antes produtor de mangas regionais, como resultado final da eliminação das “mangas da terra” da formação estrutural. Ou escutaremos algum cientista afirmando que as manchas na manga Cametá são perigosas para a saúde da população, propalando assim argumentos para a eliminação desta fruta regional do mercado, como já acontece com o açaí.




TORRES, C. VENDEDOR DE MANGA. FOTOGRAFIA A CORES. BELÉM,
BELÉM: ACERVO PESSOAL DO AUTOR. 2003.

        Ate o ano de 2003 as mangas Tommy não tinham entrado na rede de comercio fluvial do estuário. No porto de Icoaraci, na periferia da cidade de Belém, foi registrada a imagem de um homem de aspecto similar ao fotografado por Madalena Schwartz, no seu barco vindo de Abaetetuba trazendo um carregamento de mangas do tipo Cametá. Homem de cabelo curto pela sua aparência ele viajo a noite inteira para chegar em Belém de manha, ela não oferece um canastro de mangas ao fotografo, oferece todo o carregamento de mangas a venda, sem anel matrimonial ele talvez é solteiro ou separado. 

        Quais as diferenças visíveis entre esta imagem e seu ator da imagem captada por Madalena Schwartz em 1981. Pode-se dizer que nenhuma. O barco é de maior porte mas isso não estabelece uma diferença grande. As embalagens utilizadas para transportar a manga são ainda de palha retirada e tecidas na propria propriedade do barqueiro. A presença do pneu velho delata as sobras que a expansão das rodovias vai deixando pela região desde os anos oitenta. O teto do barco fabricado com zinco é bastante similar ao teto do barco da fotografia feita em 1981 revelando a permanência das técnicas de construção de navios na região. Atras do homem na fotografia observa-se um canastro de palha que foi remendado utilizando uma linha de plástico. Na fotografia anterior isto não aparecia, será que é o começo da substituição do material vegetal pelo material plástico nas embalagens de palha.
 

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Tesis


2001 - 2005 Doutorado em Ciências

Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, UFRRJ, Seropedica, Brasil Título: O mundo da vida no estuário amazônico: Ecologia política da biodiversidade no arquipelago de Belém do Pará Brasil, Ano de obtenção: 2005

 

O link para mina tese de doutorado


http://institucional.ufrrj.br/portalcpda/files/2018/08/2005.tese_.camilo_sanchez.pdf

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Filosofia da ciencia e uso social da pesquisa

A filosofia da ciencia moderna nos diz que esta ciencia seria a procura da identidade, a verdade, a nao contradição, e das causas e fins dos fenómenos da natureza, com o fim maior da liberdade, a justiça e a solução dos problemas de todas as culturas e sociedades humanas sem distinção de raça, classe social, religião, sexo, poder económico ou origem nacional e cultural. Como o racismo, a xenofobia, o clasismo, a discriminação social, politica e económica podem afetar a pesquisa cientifica no exemplo da pesquisa sobre o virus sars-covid-2 e a doença respiratoria aguda grave Covid-19? Responder num texto de no máximo 200 palavras na plataforma, ou enviando arquivo em formato PDF via correio electrónico ctsanchez@uea.edu.br Tem 5 dias para enviar as respostas.

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Debate sobre a Formação Estrutural do Novo Mundo: a natureza intocada, o colapso demográfico dos povos ameríndios e a disputa sobre a criação das Neo-europas na América

    No debate sobre a formação estrutural do Novo Mundo existem varias temáticas recorrentes, todas originadas do debate europeio sobre a natureza desta nova terra. Isto é o debate sobre a natureza intocada, o colapso demográfico dos povos ameríndios e a disputa sobre a criação das Neo-europas na América76. Com relação a estes temas pode se dizer que esta provado que a natureza na América Latina não era intocada mas também não tinha sido eliminada da realidade cotidiana dos moradores ameríndios, como aconteceu efetivamente na Europa já no século XIII, ainda mais como se vera no decorrer desta tese a intervenção dos índios no mundo natural foi de diversificação, de criação de uma rede de domesticidade de formas vivas que a própria natureza e seus processos não seria capaz de criar e manter. 

    Esta rede de formas vivas foi mantida graças precisamente ao crescimento e complexificação da população e sociedades da América tropical, mostrando como é possível manter as formações florestais americanas junto a um grande adensamento populacional, tese esta contrária a maioria das abordagens atuais sobre a origem e a conservação das formações naturais americanas. Com todo isso é bastante provável que a invasão européia só tenha sido possível por causa precisamente do elevado nível de cultura e oferta alimentar que certas áreas do continente tinham, ou seja as “neo-europas” podem haver sido edificadas acima dos pilares que a civilização ameríndia edificou para se. Em outros locais como a região estuárina do rio amazonas é impossível ainda falar de pilares e sim de que os portugueses simplesmente passaram a ocupar um dos cômodos da casa construída pelos povos ameríndios.

     Outras temáticas são a discussão sobre o “encontro do novo e o velho mundo”, o embate sobre a “fronteira de recursos e o meio ambiente” e a “história das idéias” sobre a formação do debate sobre a modernidade e a modernização do mundo da vida na América Latina. A primeira temática é tratada nesta tese como o processo de mercadorização advindo da invasão européia, o debate sobre a fronteira na Amazônia a meu ver seria sobre o fracasso da criação de uma fronteira de exploração na área do estuário amazônico, a criação de uma Neo-Europa no estuário amazônico. O questionamento sobre a historia do ambientalismo nesta tese restringe-se à crítica dos grupos de tecnocientistas que atuam na naturalização das espécies estudadas contribuindo para a tripartição crítica do mundo da vida, pois já foi tratada profundamente por outros autores (op.cit.). 

     O mundo da vida natural como problema teórico, estético e prático-moral, um problema que para ser esclarecido por fora do contexto do pensamento europeu normal deve ser pensado na sua complexidade multidimensional, o natural como objeto da ciência, a natureza como objeto do direito e da moral, e a natureza como objeto estético. Como já foi pensado o mundo da vida humana pelas várias disciplinas das ciências sociais77. Como se situa a idéia de “biodiversidade” -o mundo da vida natural- neste mapa conceptual. Para isso se realizou um estudo das vertentes que entendem o mundo da natureza e humano na Amazônia como um sistema, uma estrutura e uma formação, para terminar identificando a formação estrutural do mundo nesta região. 74 WEBER, M. A ética protestante eo espirito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2004. 75 PADUA, JOSÉ AUGUSTO. Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista (1786-1888). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.2002. 76 PALACIO, GERMAN A. En busqueda de conceptos para una historiografia ambiental. In: PALACIO, GERMAN. (Org.) Naturaleza en disputa: Ensayos de historia ambiental de Colombia 1850-1995. Bogotá: Universidad Nacional de Colombia, 2001. p.4448.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

MUNDO DA VIDA E O DESENCANTAMENTO DO MUNDO NA AMAZONIA: A RACIONALIDADE ADMINISTRATIVA

Estes princípios de racionalização atingiram diretamente o mundo da vida natural. Para o campo anglo-saxão, Keith Thomas em 1996 dissipa a noção previa de que antes da industrialização, o homem dava mais valor à natureza. Ao contrario, somente quando a flora e a fauna foram dizimadas na Europa, e reduzidas a poucas espécies com um grande número de indivíduos, é que a natureza passa a ser objeto de estimação. O autor mostra como se passa da violência contra o mundo natural, onde a natureza era um inimigo numa guerra sem quartel, para um vínculo baseado na simpatia. As formas vivas antes do desencanto do mundo eram vistas como membros imperfeitos da comunidade humana e utilizados a revelia de sua condição. Depois do desencanto do mundo junto com a sua progressiva eliminação, a flora e a fauna da Europa passam a ser vistas como entes dignos de apreço e simpatia, numa romantização, diferente da primeira de tipo neurótico, que não impede a continuação da domesticação de umas poucas espécies e a destruição da grande maioria das formas de vida natural73. Será possível isso haver sucedido da mesma forma no estuário amazônico? A diferencia do acontecido na Europa, a formação estrutural do estuário amazônico nunca teve grande violência contra a natureza por parte dos moradores tradicionais sejam estes indígenas, negros ou caboclos, e as tentativas européias de desmatamento não deram resultado ate hoje, não incorporou-se por completo à economia mercantil e não se industrializou plenamente. Os valores cristãos dos invasores sofreram miscigenação com as crenças dos cristãos novos, indígenas e africanos e ainda não experimentou um processo completo de instalação de uma racionalidade instrumental. A modernidade iluminista mercantil mundializada no estuário amazônico foi realizada de forma parcial quando comparada com o acontecido na Europa. Esta desintegração das concepções religiosas sobre o mundo da vida, ou sua substituição por outras, se operou não tanto pela substituição da experiência mágica do mundo pela experiência da razão moderna, foi pela sua substituição da visão mágica pela visão racional do mundo protestante (op.cit). Esta substituição da cultura mágico-religiosa, num estágio mais 73 THOMAS, KEITH. O homem e o mundo natural [1983]. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 57 avançado da modernização, significa que a cultura profana, uma visão esclarecida sobre o mundo da vida, não substitui a antiga cultura sagrada, e nem uma outra cultura religiosa a substitui, pois é uma “cultura administrada e instrumentalizada”, que invade as esferas do mundo da verdade, a moral e a beleza. Pode ser na forma de uma “atitude administrativa” orientada a administrar, gerir e manejar estas esferas humanas do mundo da vida. Este processo esta em pleno andamento no estuário amazônico com a entrada das igrejas evangélicas e as teorias de administração racional na transição entre a forma estrutural nacional-desenvolvimentista industrial NDI e a forma tecnocientifica informacional globalizada TIG. Os princípios que sustentam a visão moderna das formas do mundo da vida não são homogêneos em toda Europa ocidental, na Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal existiram variações que dificultam sua interpretação e que obrigam a entender estas variações como uma confluência de várias vertentes intelectuais74. No Brasil, no estuário amazônico e na Amazônia confluíram estas visões de mundo75 facilitando sua analise integrada, e claro aumentando as dificuldades desta. Nesta tese será a visão unitária dos europeus o objeto da argüição. No

La pandemia es una advertencia: debemos cuidar la tierra, nuestro único hogar Bruno Latour

https://www.theguardian.com/commentisfree/2021/dec/24/pandemic-earth-lockdowns-climate-crisis-environment La crisis climática se asemeja a un enorme bloqueo planetario, atrapando a la humanidad en un entorno en constante deterioro.
Aquí hay un momento en el que una crisis interminable se convierte en una forma de vida. Este parece ser el caso de la pandemia. Si es así, es aconsejable explorar la condición permanente en la que nos ha dejado. Una lección obvia es que las sociedades tienen que aprender una vez más a vivir con patógenos, tal como aprendieron cuando los microbios se hicieron visibles por primera vez con los descubrimientos de Louis Pasteur y Robert Koch. Estos descubrimientos se referían a un solo aspecto de la vida microbiana. Cuando también se consideran las diversas ciencias del sistema terrestre, otro aspecto de los virus y las bacterias pasa a primer plano. Durante la larga historia geoquímica de la tierra, los microbios, junto con los hongos y las plantas, han sido esenciales, y siguen siendo esenciales, para la composición misma del medio ambiente en el que vivimos los seres humanos. La pandemia nos ha demostrado que nunca escaparemos a la presencia invasiva de estos seres vivos, enredados como estamos con ellos. Reaccionan a nuestras acciones; si mutan, nosotros también tenemos que mutar. Es por eso que los numerosos cierres nacionales impuestos a los ciudadanos para ayudarlos a sobrevivir al virus son una poderosa analogía de la situación en la que la humanidad se encuentra detenida para siempre. El encierro fue lo suficientemente doloroso y, sin embargo, se han encontrado muchas formas, gracias en parte a la vacunación, para permitir que las personas reanuden una apariencia de vida normal. Pero no hay posibilidad de tal reanudación si se considera que todas las formas vivientes están encerradas para siempre dentro de los límites de la tierra. Y por "tierra" no me refiero al planeta como se puede ver desde el espacio, sino a su película muy superficial, la capa poco profunda de tierra en la que vivimos, y que ha sido transformada en un medio habitable por eones de largo. labor de evolución. Esta delgada matriz es lo que los geoquímicos llaman la "zona crítica", la única capa de la tierra donde la vida terrestre puede florecer. Es en este espacio finito donde existe todo lo que nos importa y todo lo que hemos encontrado. No hay forma de escapar de nuestra existencia atada a la tierra; como gritan los jóvenes activistas climáticos: "No hay planeta B". Aquí está la conexión entre los bloqueos de Covid que hemos experimentado en los últimos dos años y el estado de bloqueo mucho más grande pero definitivo en el que nos encontramos: estamos atrapados en un entorno que ya hemos alterado irreversiblemente. Si nos hemos dado cuenta de la acción de los virus en la configuración de nuestras relaciones sociales, ahora debemos tener en cuenta el hecho de que también serán moldeados para siempre por la crisis climática y las rápidas reacciones de los ecosistemas a nuestras acciones. La sensación de que vivimos en un nuevo espacio vuelve a aparecer tanto a nivel local como global. ¿Por qué todas las naciones se reunirían en Glasgow para mantener los aumentos de temperatura global por debajo de un límite acordado, si no tuvieran la sensación de que se había puesto una gran tapa sobre su territorio? Cuando miras hacia el cielo azul, ¿no te das cuenta de que ahora estás bajo una especie de cúpula dentro de la cual estás encerrado? Atrás quedó el espacio infinito; ahora eres responsable de la seguridad de esta imponente cúpula tanto como de tu propia salud y riqueza. Te pesa en cuerpo y alma. Para sobrevivir en estas nuevas condiciones tenemos que pasar por una especie de metamorfosis. Aquí es donde entra la política. Es muy difícil para la mayoría de las personas acostumbradas a la forma de vida industrializada, con su sueño del espacio infinito y su insistencia en la emancipación y el crecimiento y desarrollo implacables, sentir de repente que está envuelto, confinado, escondido dentro de un espacio cerrado donde su Las preocupaciones deben compartirse con nuevas entidades: otras personas, por supuesto, pero también virus, suelos, carbón, petróleo, agua y, lo peor de todo, este maldito clima en constante cambio. Este cambio desorientador no tiene precedentes, ni siquiera cosmológico, y ya es fuente de profundas divisiones políticas. Aunque la frase "tú y yo no vivimos en el mismo planeta" solía ser una expresión de disidencia en broma, se ha convertido en una realidad en nuestra realidad actual. Vivimos en planetas diferentes, con gente rica que emplea bomberos privados y busca búnkeres climáticos, mientras que sus contrapartes más pobres se ven obligados a migrar, sufrir y morir en medio de las peores consecuencias de la crisis. Por eso es importante no malinterpretar el enigma político de nuestra época actual. Es de la misma magnitud que cuando, a partir del siglo XVII, los occidentales tuvieron que pasar del cosmos cerrado del pasado al espacio infinito del período moderno. A medida que el cosmos parecía abrirse, hubo que inventar instituciones políticas para trabajar a través de las nuevas y utópicas posibilidades ofrecidas por la Ilustración. Ahora, a la inversa, la misma tarea recae en las generaciones actuales: ¿qué nuevas instituciones políticas podrían inventar para hacer frente a personas tan divididas que pertenecen a planetas diferentes? Sería un error creer que la pandemia es una crisis que terminará, en lugar de la advertencia perfecta de lo que se avecina, lo que yo llamo el nuevo régimen climático. Parece que todos los recursos de la ciencia, las humanidades y las artes tendrán que ser movilizados una vez más para desviar la atención hacia nuestra condición terrestre compartida. Bruno Latour es filósofo y antropólogo, autor de After Lockdown: A Metamorphosis y ganador del premio Holberg 2013

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

THE WORLD OF LIFE AND THE FORMATION OF MODERNITY 4.1 MODERNITY AND THE MODERNIZATION OF THE WORLD OF HUMAN AND NATURAL LIFE IN LATIN AMERICA

Several authors reflect on whether there is an untouched non-human nature outside the human lifeworld66. Or if wild nature is also within humanity, as its first foundation, being simultaneously human beings and living social animals67, or whether the human being and the natural lifeworld are simply a machine-like mechanism68, with the corollary that the The human lifeworld, hitherto named the Society, could also be treated as a mechanical mechanism. Who, how and for what purpose are these assumptions of naturalness or universal humanity constructed? In this thesis it is believed that the human and natural world of life make one another in a permanent contradiction, which cannot be resolved only by transforming it using the expedients of socio-technical and domesticity networks that frame the structural forms of the world in the region. . The individual human being struggles with the beast within him. The city lives in eternal opposition to the forests, and civilizations are opposed, according to their greater or lesser roots, to identities based on the experience of life, of the living. It will be the utopian fate of critical political ecology to fight on the natural and human fronts as if it were in a city besieged from without by a predator and besieged from within by hunger, disease and human conflict. In order to preserve both the natural world [nature] and the human world [humanity] from technical homogenizing and rational invasion69. How does this conflict affect biodiversity objects and discourses?